Principais causas de xenofobia na África do Sul



Sul-africanos voltam às ruas contra imigrantes e clima já cheira a 2008

Grupos sul-africanos, com destaque para o movimento “March and March” e restos do antigo Operation Dudula, estão novamente a incendiar o país com marchas, ameaças e confrontos diretos contra imigrantes africanos. O cenário repete um filme já conhecido… mas desta vez está a ganhar força outra vez.

Nas ruas de Joanesburgo, Pretória, Durban e várias zonas de KwaZulu-Natal, donos de lojas estrangeiras estão a ser forçados a fechar portas. Pessoas estão a ser paradas na rua, interrogadas, obrigadas a mostrar documentos e, em vários casos, humilhadas publicamente. Há relatos e vídeos de agressões com paus, facas e até machados.
Os alvos são claros: nigerianos, ganeses, zimbabuanos e também moçambicanos.

Em muitos dos confrontos, a mensagem é direta e pesada: “voltem para o vosso país e resolvam os vossos problemas lá”.

Mas por trás dessa violência existe uma mistura explosiva de frustração social e manipulação política.

A África do Sul enfrenta níveis altíssimos de desemprego, especialmente entre jovens. Muitos cidadãos acreditam que estrangeiros estão a ocupar empregos, dominar o pequeno comércio e até alimentar a criminalidade. Esse sentimento, mesmo quando não é sustentado por dados concretos, torna-se combustível fácil para revolta.

A isso soma-se a falta de controlo eficaz da imigração e a presença de políticos populistas que usam esse discurso para ganhar apoio. É um ciclo perigoso: crise económica + discurso inflamatório = violência nas ruas.

Este não é um episódio isolado. Já aconteceu em 2008, voltou em 2015, repetiu-se em 2019… e agora o padrão regressa com sinais claros de escalada.
Uma das figuras que mais está a aparecer nas redes é Jacinta Ngobese-Zuma, associada à liderança do movimento March and March, que tem estado à frente das marchas, incluindo mobilizações rumo ao Union Buildings, em Pretória.

Do lado do governo, o Presidente Cyril Ramaphosa já veio a público condenar os ataques, afirmando que não pode haver ódio entre africanos e prometendo ação policial.

Mas a realidade no terreno conta outra história.

Historicamente, o governo sul-africano reage com discursos fortes, mas com execução fraca. A polícia muitas vezes chega tarde, não consegue conter multidões ou simplesmente não mantém presença suficiente para evitar novos ataques.

E é aí que o medo cresce.

Para milhares de imigrantes — incluindo moçambicanos — o cenário atual não é apenas tensão… é risco real. Negócios destruídos, vidas ameaçadas e uma sensação constante de insegurança.

Isto não é só sobre imigração.

É sobre frustração, política, pobreza… e um sistema que falha em proteger quem mais precisa.

E quando esse combo explode, o resultado é sempre o mesmo: africanos contra africanos.

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